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Os risos e causos eram freqüentes, e até repente tinha, mas os resultados da confraternização que houve no Plenarinho se refletiram também no político. Um dos principais objetivos dos encontros estaduais de apresentação da campanha Conte para a Ouvidoria, Nós contamos com você é a criação de ambientes de relação e diálogo direto entre os radialistas e comunicadores em geral e as ouvidorias. No Rio Grande do Norte, os caminhos para esta organicidade ideal ainda estão se definindo, mas já parecem apontar bons resultados.
Não havia representantes da chamada “segunda capital do Rio Grande do Norte”, Mossoró, uma das cidades mais violentas do Estado. Mesmo assim, o jornalista Ciro Pedroza destacou que os contatos travados pela Oboré com as rádios comunitárias foram de grande valia para a realização deste contato. Segundo ele, a Oboré ofereceu ferramentas para o desenvolvimento de um debate verdadeiro, apesar de sua incipiência. A adesão de entidades como o Comando Geral da Polícia Militar, Centro de Direitos Humanos e Memória Popular e a Pastoral Carcerária foi de suma importância.
O atual ouvidor Geraldo Soares Wanderley avalia que o encontro cumpriu seu objetivo de forma satisfatória, impressão compartilhada pelos radialistas com quem travou contato nos dias subseqüentes. Destacou que o número e a boa distribuição geográfica dos radialistas presentes garantem que a campanha abranja todo o estado. Relata que já percorreu cinco cidades onde visitou oito rádios que não puderam enviar representantes para o evento de forma a garantir que elas recebam o material e participem da campanha. Espera estender essas visitas a mais localidades durante os próximos meses para garantir a continuidade da campanha e a voz ativa do radialista, algo que o lançamento da campanha, por sua curta duração, não oferece.
Jean François Olivier, o representante técnico da União Européia que participou do encontro, conta que o ouvidor indicou comprometimento com a integração de um profissional de comunicação social a sua equipe – o que seria a resposta ideal à campanha. François destaca: “Temos que acompanhar o uso que as rádios farão das peças. É uma adesão voluntária dos radialistas sobre a qual não temos controle”. Ele frisa o fato de o Rio Grande do Norte ser um estado em cuja história constam relatos sobre grupos de extermínio e em que o problema da violência policial é latente. Esperando que a Ouvidoria seja sujeito ativo no processo de diálogo que o encontro inaugura, ele vê conforto nas posturas do ouvidor: “Queremos fortalecer a democracia, fortalecer a sociedade, as instituições democráticas e para isso, a imprensa, o rádio, os radialistas são indispensáveis”, fala o ouvidor, com um histórico de mais de vinte anos na área de diretos humanos.
François estava preocupado com o fato do ouvidor potiguar ter transformado o encontro em um evento público, mas acabou surpreendido pelo interesse gerado nos comunicadores e entidades presentes. O que mais lhe chamou atenção foi a atenção dispendida pelas mídias locais no acompanhamento do evento. “Pelo menos três veículos me entrevistaram”; entre eles, estavam o jornal Tribuna do Norte, cujo material publicado pode ser consultado em nosso site (http://www.obore.com.br/ouvidoria_rn_clipping.asp).
E a estratégia de Dr. Geraldo que assustava Olivier gestou um ambiente positivo. “Nós estamos aqui numa casa que é a casa do povo”, afirma Sérgio Gomes. Complementando, Ciro Pedroza nota que o fato de o evento ter sido levado ao Plenário da Assembléia Legislativa contribuiu para que o tema fosse tratado com seriedade e de forma natural, o que chegou, em sua leitura, a surpreender os representantes policiais que participaram dele. “Do ponto de vista político”, ele explica, “o evento foi altamente bem sucedido”. E o Corregedor da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros confirma: “Eu entrei já feliz aqui neste ambiente, é um ambiente altamente propício”.
Ainda que não tenha sido apresentado oficialmente na sexta-feira, espera-se que o Relatório de Denúncias da Ouvidoria de Polícia deste ano chegue às mãos dos radialistas para enriquecer a formação deles sobre o assunto da violência policial. Olivier destaca que o papel do radialista, nesse sentido, tem mais a ver com comentar a importância da ouvidoria enquanto instrumento democrático, que necessariamente veicular as peças. O debate testemunha isso em uma das falas de Ciro, o jornalista que agitou a reunião: “Quem é a Internet do pobre? Internet do pobre é rádio! A TV tem um papel importante? Tem. Mas nada tira a força da expressão da voz humana. A voz humana tem uma força muito grande. Enquanto a voz humana tem força, o rádio terá força”.
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