Segunda-feira, 24 de Julho de 2017 Pesquisa no site
 
A OBORÉ
  Abertura
  Histórico
  Missão
  Frentes de Trabalho
  Parceiros
  Prêmios
  Fale Conosco
  Galeria de Fotos
Núcleo de Rádio
Núcleo de Cursos
Núcleo de Gestão da Informação
Notícias
Atividades Especiais
  Um Dia de Uma Vida Inteira
 

Um objetivo comum reuniu comunicadores, professores, estudantes, jornalistas, prefeitos, parlamentares, radialistas, dirigentes sindicais, músicos, juízes e religiosos no dia 16 de setembro de 2004 na PUCSP: comemorar os 83 anos de D. Paulo Evaristo Arns na homenagem Um Dia de Uma Vida Inteira.

Foi um grande encontro de lembrança e esperança para relembrar a marca de D. Paulo na história brasileira recente, seus ensinamentos e seus sonhos e traçar metas para o futuro com base em suas lições. 

Uma série de atividades no Tucarena - palestras, mesas-redondas, seminários, aulas, projeção de documentários, lançamento de publicações e concertos – reuniu, durante o dia todo, das 9h às 21h, mais de 300 pessoas.

O homenageado esteve presente em parte do evento e, ao final, deixou sua mensagem de fé, esperança e coragem: “Essa homenagem exprimiu aquilo que o povo sente no coração”, disse. E convidou a platéia para um forte coro entusiasmado onde todos diziam “Vale a pena caminhar” e ele completava "para a democracia, para a solidariedade, para a amizade".

Dom Paulo: a marca humana na Constituição

“D. Paulo: A Marca Humana na Constituição Brasileira” foi a mesa redonda da qual participaram o desembargador Antônio Carlos Malheiros, presidente da Comissão de Justiça e Paz de São Paulo e professor da PUCSP; Oscar Vilhena, diretor da Conectas – Direitos Humanos e também professor da PUCSP; e Chico Withaker, ex-vereador de São Paulo, membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial e da Comissão Brasileira de Justiça e Paz. A  mediação foi feita pela então vice reitora comunitária da PUCSP, Branca Jurema Ponce.

“Dom Paulo já anunciava, muito antes da Constituição de 1988, a cidadania e a dignidade da pessoa humana”, disse Malheiros, que lembrou também de passagens marcantes do Cardeal. “Certa vez perguntaram a ele: ´como é que o senhor define direitos humanos em uma só palavra´? A resposta: solidariedade.” Para Vilhena, uma das características mais marcantes de D. Paulo é a forma como ele concilia sua ética de princípios morais com uma grande habilidade política e estratégica de fazer sua idéia ser aplicada na prática. “Ele tinha, por exemplo, uma rede de militantes ao seu redor, com a mais profunda lealdade. Dom Paulo conseguiu transformar o problema dos direitos humanos num problema internacional – ele fazia ameaças na porta do DOPS dizendo que iria denunciar para a BBC ou para a France Press.

Chico Withaker, ex-vereador de São Paulo e membro do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial, pôde dar um depoimento pessoal de quem conviveu durante anos com o Cardeal. “D. Paulo sempre apontou caminhos. Na luta contra a repressão, queria sempre que as pessoas avançassem - e não que ficassem esperando por ele. Queria que as pessoas tomassem atitude. Isso foi fundamental para que todos percebessem que ninguém faz nada sozinho e nisso está a importância da solidariedade." Um gesto do Cardeal, citado por Chico e por outros convidados, é o carinhoso abraço que D. Paulo dá nos amigos quando vai embora: “olha nos olhos e diz: coragem!” 

Comunicação Popular: Velho Sonho de D. Paulo

“Quanto ao rádio, meus amigos, é o meio de comunicação que penetra no ouvido, na alma e no coração do povo com muito mais insistência e intensidade do que a própria televisão. Nós precisamos trabalhar com todos os meios de comunicação e não se pode esquecer o rádio. Acho que chegou a hora em que o jornalismo precisa ser respeitado. Eu, da minha parte, quero dizer a cada um de vocês que vou manter esse respeito até o fim da minha vida: a imprensa precisa ser livre para o mundo poder ser livre.” 

Esse trecho, parte da fala de D. Paulo proferida em agosto de 1996 durante o Projeto Repórter do Futuro, na OBORÉ, foi uma das inspirações para o seminário que deu seqüência ao dia de homenagens: “Comunicação Popular: Velho Sonho de D. Paulo”. Não por acaso, a sessão da tarde foi aberta com o vídeo que registrou aquele momento. Na palestra, D. Paulo lembrou, ainda, do Parlamento das Religiões (que ocorreu em 1993 em Chicago) e da necessidade de convívio entre as religiões para que se busque uma ética para o terceiro milênio, baseada na justiça e na solidariedade. 

Como mais uma forma de homenagem, foram lançadas, ali, duas novas edições da série Cadernos de Jornalismo, parte do Projeto Repórter do Futuro. O volume 6, “A Comunicação e a Redemocratização do Brasil”, período em que D. Paulo teve papel tão importante para a reabertura do país, e o volume 7: “Jornalismo em Situações de Conflito Armado”. 

Este resgata o pedido feito pelo Cardeal há oito anos, na ocasião descrita acima, e traz dois textos inéditos: “O ethos da paz” (artigo de D. Paulo extraído do livro Erklärung zum Weltethos e traduzido especialmente para a publicação) e “Parlamento das Grandes Religiões, Os princípios de um ethos universal”, com as resoluções do citado congresso de Chicago.

Direito Constitucional, Radiodifusão e Poder Local

A situação das rádios comunitárias teve destaque ao longo do debate “Direito Constitucional, Radiodifusão e Poder Local”. Autores de projetos de lei relacionados ao tema, os vereadores de São Paulo Carlos Néder (PT), Nabil Bonduki (PT) e Ricardo Montoro (PSDB) foram convidados a prestar conta de seus mandatos no que diz respeito à radiodifusão comunitária no município. Montoro e Néder são autores de projeto de lei que definiu regras para a radiodifusão comunitária em São Paulo (PL 145/01) e deu ao município o poder de autorizar ou não o funcionamento dessas emissoras de baixa potência. 

Ambos afirmaram que insistiriam ao máximo para que o projeto fosse votado na Câmara Municipal. Néder, também autor da Lei que estabeleceu o projeto Educomunicação pelas ondas do rádio, destacou ainda que as rádios comunitárias têm compromisso com a história de cada bairro: “Elas ajudam no surgimento de novas lideranças e são instrumentos de luta contra a violência.”
Bonduki foi o relator do PL 139/04, cujo artigo 266 prevê que o Executivo desenvolva um Plano Diretor de Radiodifusão Comunitária. “É muito importante territorializar as rádios comunitárias, por isso a criação do plano. Elas são importantes meios de promoção de políticas públicas municipais”, disse.

Estudo de Casos

Uma proposta muito semelhante ao projeto de Néder e Montoro estava em andamento no município de Campinas, onde foi homologada, no dia 1º de julho de 2004, a lei nº 12.017. A experiência foi contata pela própria prefeita, Izalene Tiene, durante o debate. 

“Nós entendemos que o mais importante é o artigo 30 da Constituição: tudo que é do interesse do município deve ser legislado pelo poder local. Meu dever como gestora é criar condições para que a população tenha boas informações e é isso que queremos com o projeto. Esperamos que as rádios, na legalidade, façam uma melhor prestação de serviço”, concluiu a prefeita.  

Outra experiência debatida foi a da Rádio Comunitária Landell, de Palmeira das Missões (RS), cujos diretores, Valdomiro de Souza e Luciano Branchier, vieram especialmente para a homenagem. Relataram um episódio ocorrido na emissora: para se auto-sustentar, fazem parcerias com instituições de sua região e transmitem apoio cultural, com o contato da empresa apoiadora. A Anatel, porém, entendeu como “publicidade” – prática proibida pela Lei da Radiodifusão Comunitária – e já notificou a emissora.

Comentários e Propostas

Houve, ainda no período da tarde, um painel de comentaristas que deixaram informações, sugestões e propostas relacionadas ao tema. 

A juíza federal de São Paulo e também professora da PUCSP, Raecler Baldresca, autora de dissertação de mestrado sobre rádios comunitárias, revelou alguns dados alarmantes levantados para sua pesquisa: “No ano 2.000, havia sete vezes mais processos contra rádios comunitárias na Justiça Federal Criminal do que processos contra tráfico internacional. Em 2001, duas vezes mais e, em 2002, subiu novamente: cinco vezes mais. Ela ressaltou ainda que a opinião pública está sendo manipulada em relação às rádios comunitárias. “As pessoas ainda não entenderam esse processo.”   

Chico Paes de Barros, diretor da Rádio 9 de Julho, disse que a liberdade de expressão e o direito à informação interferem diretamente na vida das pessoas e do país. “O governo tem de ter uma política mais democrática de concessão de rádio e tevê. Se as rádios comunitárias conhecem melhor a realidade da comunidade, deveriam ser mais reconhecidas pelo poder público". 

Marilú Cabañas, jornalista da Rádio Cultura de São Paulo, reafirmou a importância da radiodifusão comunitária, lembrando o exemplo do Fórum Mundial de Educação (abril de 2004 em SP): “Se não fossem as rádios comunitárias, o evento não teria aparecido na mídia”.  Álvaro Malagutti, assessor do Instituto Nacional de Tecnologia de Informação, anunciou a proposta da criação de um pacote de software livre em áudio a ser usado por rádios comunitárias para que elas não precisem mais pagar royalties aos proprietários de seus programas. E o jornalista José Arbex ressaltou que a única forma de os movimentos sociais se defenderem da criminalização que vem sofrendo na grande imprensa é através de uma rede de veículos comunitários.

Cantos de Paz em Tempos de Guerra

D. Paulo chegou pontualmente às 18h em sua homenagem e foi presenteado com o concerto “Cantos de Paz em Tempos de Guerra”, com o Grupo de Câmara da Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Luther King e regência do maestro Martinho Lutero. As músicas eram sobre a paz e a liberdade. Os textos, sobre a guerra e as injustiças sociais.

Em seguida, foi aberta a sessão solene “Homenagem ao Cardel, Arcebispo Emérito, D. Paulo Evaristo Arns”, com a participação de Antônio Carlos Caruso Ronca, reitor da PUCSP; D. José Benedito Simão, da Pastoral Universitária; deputado Luiz Eduardo Greenhalgh; o coordenador da Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo, Paulo César Pedrini; e o jornalista Sergio Gomes.   

Greenhalgh lembrou de pessoas importantes que estavam na platéia e que conviveram intensamente com Dom Paulo, como o vice-prefeito Hélio Bicudo e Margarida Genevois e em seguida se dirigiu ao Cardeal. “Entra ano, sai ano e o senhor vai ver as pessoas aqui. A gente comemora o seu aniversário por dois motivos: o senhor é responsável por aquilo que cativa e o senhor nos cativou a todos, permanentemente e perpetuamente. Acho também que o seu aniversário é uma data em que as pessoas querem vir para dizer ao senhor que a data é uma reafirmação de compromissos. Cada um que está aqui está para dar parabéns ao senhor e para dizer que vai continuar a seguir as lições que nos ensinou."

Depois de um emocionado Parabéns a Você , cantado por toda a platéia, a homenagem foi finalizada com a apresentação do CUCA – Coral da PUCSP, com músicas da infância e do afeto de Dom Paulo. Com a regência do maestro Renato Teixeira Lopes, o coro interpretou, ainda, músicas que marcaram a resistência política na década de 70 e terminou em grande estilo ao som de  O Bêbado e o Equilibrista (Elis Regina), encerrando, assim, Um dia de Uma Vida Inteira

Veja algumas imagens que marcaram a Homenagem a D. Paulo no dia 16

 
 
 » Indique essa página a um amigo
 
 
 
Avenida Paulista, 2300 | Andar Pilotis | Edifício São Luis Gonzaga | 01310-300
São Paulo | SP | Brasil | 55 11 2847.4567 |
obore@obore.com

Desenvolvimento

KBR Tec - Soluções Online