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  Prefácio - Correspondentes de Guerra Aqui Mesmo José Marques de Melo
 

Venho acompanhando com vivo entusiasmo o Projeto Repórter 2000 desde o seu nascimento, em dezembro de 1994.

Desdobramento da OBORÉ Projetos Especiais, nasce com a vocação de atender três frentes de trabalho: cursos de qualificação de estudantes de jornalismo, criação e produção de programas de rádio, criação e produção de clippings da imprensa "fora de banca".

O Projeto Repórter 2000 - cursos modulados de complementação universitária - pretende sensibilizar para as grandes questões sociais, econômicas e culturais os jovens que hoje freqüentam os cursos de jornalismo mas que amanhã ascenderão às estruturas de poder dentro das redações.

Na verdade, a metodologia do Repórter 2000 foi testada precocemente na própria ECA-USP, durante o tempo curto (86/92) mas profícuo em que Sergio Gomes ali atuou como professor das disciplinas Jornalismo Comunitário e Comunicação Sindical.

Deparando-se com um alunado sem motivação, mas reconhecendo nele um potencial inovativo muito aguçado, ele lança o desafio de ensinar jornalismo no campo e em contato com as fontes de informação. Trata-se da aula que deixa de ser mera preleção do docente para se converter em entrevista coletiva.

Cada semana, os alunos de jornalismo da ECA / USP eram despertados da letargia provocada pelo academicismo da maioria de seus professores e tinham oportunidade de tomar contato com os problemas do País e do mundo, entrevistando personalidades que voluntariamente freqüentavam o campus, sem cachê e sem formalismos.

O ponto alto da experiência dá-se com a participação do Professor Manuel Chaparro, então responsável pelo Jornal do Campus, quando sensibilizam Miranda Jordão a abrir as páginas do Diário Popular para publicação das matérias produzidas pelos alunos: a série Cidade x Cidadão, de 20 a 25 de janeiro de 91.

Embora inovadora e possível de ser implantada em qualquer curso genuinamente voltado para o aprendizado do jornalismo, a experiência não conseguiu adesão da maioria dos professores do CJE / ECA / USP.

Compreendendo que era possível resgatar essa experiência pedagógica e ampliá-la aos estudantes de todos os cursos de jornalismo de São Paulo, os jornalistas Sergio Gomes, Ana Luisa Zaniboni Gomes, Paulo Vieira Lima, Clóvis Messias e José Primo - representando a OBORÉ, ABI/SP e Associação dos Cronistas Parlamentares de São Paulo - unem-se e realizam o 1º Curso Intensivo de Correspondentes de Guerra Aqui Mesmo nos meses de dezembro de 94 e janeiro de 95, tendo como local das entrevistas e redação das matérias o surpreendentemente bem equipado e ocioso (na parte da manhã) Comitê de Imprensa da Assembléia Legislativa de São Paulo.

Começa a nascer aí uma universidade aberta, dinâmica, esperançosa.

O mérito principal dessa iniciativa - que passa a se consolidar com a inauguração das instalações da OBORÉ Projetos Especiais (25 de janeiro de 95) - é a de formar repórteres com tesão jornalístico, estimulados a descobrir os fatos nas ruas, protagonizados por pessoais reais.

Os módulos (cursos de 30 / 40 horas) "Frente a Frente com os Bam Bam da Imprensa", "Correspondentes de Guerra Aqui Mesmo", "De Frente para o Brasil" e "Internet como Ferramenta do Trabalho Jornalístico" constituem paradigmas didáticos que os jovens professores de jornalismo podem tomar em conta para salvar o que resta dos cursos de jornalismo em São Paulo.

Este Cadernos de Jornalismo nº 1, reunindo a síntese das conferências e as respostas às perguntas dos estudantes durante as entrevistas coletivas do Projeto Repórter 2000, oferece evidências aos editores de jornais, revistas e veículos eletrônicos de que é possível fazer jornalismo vibrante, responsável e socialmente útil.

Basta ler as pistas lançadas pelos profissionais, estadistas, lideranças populares e especialistas entrevistados no Centro de Imprensa / Redação-Escola da OBORÉ para ver como nossa imprensa pode recuperar a sensibilidade para o coditiano e superar uma agenda mortiça, chata e insossa, com pretensões pós-modernas...

Melhores dias já podem ser vislumbrados a partir de ações dessa natureza. E os Repórteres dos 2000 aqui estarão para registrar, interpretar, prever outros tempos, menos egoístas e mais solidários.

Quem viver, verá, como diria o profeta da esperança.

São Paulo, 28 de julho de 1996 


José Marques de Melo é Professor Titular aposentado, fundador e ex-diretor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo - ECA / USP. Atua hoje como Diretor Científico da Cátedra da Unesco de Comunicação para o Desenvolvimento Regional na Universidade Metodista de São Paulo e Pesquisador Senior do Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP.
 
 
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